sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

LINGUAGEM CIENTÍFICA

A LINGUAGEM CIENTÍFICA
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Principais funções
Expressiva: comunicar emoções ou sentimentos
Persuasiva: determinar a conduta das pessoas, como as propagandas
Informativa: transmitir conhecimentos e informações
 A linguagem científica é essencialmente informativa

Formas de expressão
Coloquial: linguagem comum, popular.
Literária: linguagem estética
Técnica: útil para transmitir conhecimento científico

A linguagem científica é técnica

Formas de redação em prosa
Dissertação: São expostas, explanadas, interpretadas idéias ou apresentados argumentos sobre um determinado assunto.
A uma dada pressão, a temperatura na qual ocorre a fusão é bem determinada para cada substância.

Descrição: São descritas características ou elementos constitutivos dos seres: pessoas, animais, vegetais, objetos, ambientes, processos, etc.
O motor elétrico de corrente contínua é composto de duas partes principais: o indutor e o induzido.

Narração: São contados fatos ou fenômenos ocorridos em determinado tempo e lugar, com a participação de personagens.
 A polícia de São Paulo instalou um laboratório que permitirá identificar criminosos analisando a molécula de DNA do sangue ou de um fio de cabelo encontrado no local do crime.

Qualidades da linguagem científica
A apresentação de um trabalho científico supõe que o autor domine bem o idioma em que o texto está sendo escrito, bem como, o conhecimento científico sobre o assunto abordado. A linguagem é o instrumento de comunicação e a ciência sendo rigorosa exige a que mais se aproxima da perfeição.

Impersonalidade. Toda a escrita deve ser impessoal. Deve-se evitar referências pessoais, como “meus resultados”, “minhas conclusões”, “Eu resolvi...”. Pode-se usar nós, quando se tratar de informar resultados obtidos pelo próprio autor.
Não Þ Eu calculei todas as possibilidades
Sim Þ Acreditamos que seja possível calcular a posição exata do objeto

Objetividade. A ciência é objetiva, não subjetiva. A objetividade implica em não haver ambigüidade ou possibilidade de mais de uma interpretação.
Não Þ A sala era enorme e belíssima
Sim Þ A sala tinha 23m de comprimento por 44m de largura e com o teto pintado de verde e as paredes de alaranjado

Modéstia e cortesia. Os resultados representam o pesquisador e a si mesmos. A pesquisa impõe-se por si mesma. O pesquisador não deve considerar-se o melhor. Um pesquisador não deve julgar imperfeito o trabalho de outros e atribuir a si a perfeição. A cortesia é importante especialmente em situações de discordâncias.

Clareza e precisão. Toda e qualquer questão, problema ou informação deve ser enunciado com clareza e precisão. Não é possível expressar claramente um pensamento ou idéia se o assunto tratado está ainda confuso na mente de quem escreve. Sem clareza de idéias, não pode haver clareza de expressão.
Não Þ (alguém que não tem certeza) A luz é determinada pela sua velocidade onde o que importa é o meio, se ele for condutor ou não condutor mas ela viaja mais rapidamente naqueles que não existem
Sim Þ (alguém que conhece) A velocidade da luz é máxima no vácuo e diminui nos meios materiais

Vocabulário com sentido próprio
Os símbolos ou as palavras empregadas devem representar as idéias. Deve-se escolher termos com significação exata, conforme os dicionários. Os termos devem sempre estar em seu sentido próprio, nunca em sentido figurado.
Nunca usar termos difíceis, neologismos, palavras estrangeiras traduzidas inadequadamente, regionalismos, gírias, expressões coloquiais pois seu sentido muda conforme a época e o lugar.
Sim Þ Rosa (botânico): Flor da roseira, planta da família das rosáceas.
Consta de muitas pétalas, formadas à custa da transformação de estames
Não Þ Rosa (poeta) : Mulher bonita e formosa
Não Þ As bruxas estão à solta

Sim Þ His background is in the computer industry.
A experiência dele é na industria de computadores. Ou: Seu “background” é na industria de computadores
Não Þ O fundo dele é na industria de computadores

Sim Þ A força resultante aplicada em um corpo é igual à massa multiplicada pela aceleração adquirida pelo corpo
Não Þ O seu colega está forçando a barra

Vocabulário técnico. Cada ciência possui um vocabulário específico que a acompanha sua evolução. Esta terminologia técnica, livre de ambiguidades, é fundamental para expressar os conhecimentos entre os cientistas. Quem escreve um relatório científico não pode ignorá-la.
Sim Þ Quando um núcleo de elemento radioativo se desintegra, além de outras radiações, ele emite partículas alfa, que são partículas constituídas por 2 prótons e 2 nêutrons (núcleo do átomo de hélio). Estas partículas podem ser usadas para provocar a desintegração de elementos não radioativos. Para isto, elas são lançadas contra estes núcleos e, ao atingi-los, causam uma reação nuclear
Não Þ Quando o miolo do átomo se arrebenta, saem coisas dele. Essas coisas provocam noutros átomos rachaduras, de onde saem mais coisas

Características da fraseologia científica
· Frases simples. Uma só idéia por frase
· Períodos curtos. Períodos longos dificultam a compreensão e tornam a leitura pesada.
· Não construir períodos que demandem esforço supérfluo
Podemos considerar que a luz corresponde a um transporte de certa energia, chamada energia radiante. Este tipo de energia se propaga por meio de ondas eletromagnéticas. Tais ondas, além de não necessitarem de um meio material para sua propagação – podendo, portanto, propagar-se no vácuo -, possuem uma grande velocidade. No vácuo, a velocidade da luz (c) vale, aproximadamente: c = 300.000 km/s.

 Resumo sobre a linguagem científica
CERTO
ERRADO
INFORMATIVA  

Persuasiva, expressiva

TÉCNICA
  Vulgar ou popular

IMPESSOAL
Pessoal
OBJETIVA
Subjetiva, ambígua

MODESTA E CORTÊS
Arrogante, dogmática

CLARA E PRECISA
Confusa, equívoca

PRÓPRIA E CONCRETA
Figurada
FRASES SIMPLES E
CURTAS
Longas e complexas

Exemplo: Uma explicação sobre o movimento


Diferenças gerais entre uma redação científica e uma literária

REDAÇÃO CIENTÍFICA
REDAÇÃO LITERÁRIA
Técnica .
Estilo técnico, não artístico.
Não técnica, mas pode ser intercalada.
Estilo literário, pessoal ou de época.
Tema ciências.
Qualquer tema, inclusive ciências.
Transmite informação verdadeira, comprovada cientificamente.
O mundo exterior é apresentado tal qual é, de modo concreto. O autor limita-se a definir, a mostrar a realidade, sem opinar ou emitir juízo de valor.
Transmite ficção, ou situações recriadas pelo autor.
O mundo exterior é apresentado tal como o escritor o vê, sente e julga. Não há preocupação com a exatidão de detalhes, mas com a precisão das impressões captadas
pelos sentidos e com a interpretação do objeto, pelo autor.
Transmite mensagem racional.
Emprega as palavras como simples instrumentos de transmissão de idéias. As palavras têm sentido lógico.
Esclarece, mostra, prova; deixa de lado o feitio artístico da frase e preocupa-se com a objetividade, a eficácia e a exatidão da comunicação
Transmite emoções .
Emprega as palavras como instrumentos para transmitir emoções. As palavras têm valor simbólico. Desperta emoções no leitor, deve impressionar, agradando; é redigida empregando a linguagem de maneira artística.

REDAÇÃO CIENTÍFICA
REDAÇÃO LITERÁRIA
Linguagem objetiva, simples, formal, precisa, clara, cortês, coerente, direta e harmônica.
Linguagem subjetiva, complexa, informal, simbólica e indireta.
Linguagem técnica ou científica no nível padrão culto. Os símbolos ou as palavras empregadas devem representar as ideias. Os termos devem sempre estar em seu sentido próprio, nunca em sentido figurado.
Linguagem literária, transposição para a linguagem escrita dos vários níveis da língua falada:
regionalismos, gírias, expressões coloquiais com seu sentido figurado mudando conforme a época e o lugar.
Há respeito às regras gramaticais.
Extremo cuidado com ortografia e pontuação

Contem somente o necessário sobre um tema. Evita prolongamentos e jogos de palavras

Não repete uma palavra na mesma frase ou à pequena distância, assim como palavras cognatas. Sem rimas


 Exemplo: descrição técnica e descrição literária

Técnica
O coração é um órgão muscular oco, localizado no centro do tórax
entre dois pulmões, imediatamente acima do diafragma,
ligeiramente é esquerda da linha mediana do tórax. Tem tamanho
de um punho e a forma aproximada de um cone de base voltada
para cima, para trás e para a direita e de ápice voltado para baixo,
para frente e ligeiramente para a esquerda.

Literária
O coração, além de, sabidamente ter razões que a razão
desconhece, nem eu, é feito de um músculo fabricado especialmente
pra coração, o miocárdio (assim como a alcatra é feita pro assado).
O miocárdio bate 24 horas por dia, 365 dias por ano, 70 batidas
por minuto (90 nas crianças pra elas poderem chatear os mais
velhos) sem férias, nem décimo terceiro, sem qualquer aplauso do
seu dono e sem pagamento de horas extras que aliás, isso ele não
faz.

COMO ELABORAR RELATÓRIOS





ES José Belchior Viegas            


TÉCNICAS DE TRABALHO

Elaborar relatórios
Nas mais diversas situações da comunicação social falada e escrita já leste ou ouviste alguém dizer que foi pedido um relatório sobre determinada ocorrência. É usual, por exemplo, pedir um relatório na sequência de um determinado acidente ou na sequência de uma situação problemática com graves consequências, assim como é normal que determinada comissão de inquérito, no âmbito, por exemplo, da Assembléia da República, elabore um relatório onde apresenta os resultados das suas investigações.
No âmbito das aulas, os alunos e alunas podem ser convidados a usar esta estratégia.
A redação de relatórios é um trabalho que parece perfeitamente adequado e legítimo, por exemplo, na sequência das viagens de estudo, ou na sequência do visionamento de um filme. Mas a sua realização pode também ser solicitada a partir das próprias aulas, uma vez que pode ser apresentado e elaborado a partir de uma sequência de aulas em que foi tratada determinada matéria ou abordado determinado tema.
O relatório feito a partir de uma sequência de aulas pode ser realizado individualmente ou em grupo.
Apresentaremos em seguida três possíveis tipos de plano de relatório para:
a) viagem de estudo;
b) visionamento de filme;
c) sequência de aulas.

ES José Belchior Viegas              


Plano de relatório de visita de estudo

1. Introdução
• Local ou locais visitados;
• Data da visita;
• Horário;
• Meio de transporte;
• Turmas participantes;
• Professores acompanhantes;
• Responsáveis pela organização.

2. Desenvolvimento
• Objetivos da visita de estudo;
• Relacionamento dos temas de estudo (aulas) com os locais visitados;
• Expectativas pessoais relativamente à visita;
• Descrição objectiva dos locais visitados ou das atividades realizadas;
• Aspectos considerados mais importantes, mais relevantes;
• Grau de satisfação das expectativas pessoais;
• Ambiente em que decorreu a visita (pontualidade, relações entre colegas,,entre
alunos e professores; clima de afetividade, convívio, maneira como foram
acolhidos pelas instituições, etc.)

3. Conclusão
• Opinião pessoal sobre a visita;
• Aspectos que foram mais conseguidos e menos conseguidos;
• Sugestões para ter em conta em futuras visitas.

4. Anexos
• Fotografias;
Documentos preparatórios ou motivadores previamente distribuídos;
• Documentos recolhidos durante a visita;
• Inquérito de avaliação da visita de estudo;
• Outros.

    ES José Belchior Viegas              
      
Plano de relatório de visionamento de filme

1. Introdução
Data do visionamento do filme;
Local;
Título do filme;
Realizador;
Ano de realização;
Personagens principais;
Motivação: razões do visionamento; ligação entre a temática das
aulas e a temática do filme.

2. Desenvolvimento
Breve síntese da história;
Momentos do filme considerados mais importantes;
Momentos que têm mais ligação com a matéria das aulas;
Momentos do filme que originaram maior debate de ideias;
Síntese das ideias expressas no debate realizado após o
visionamento;

3. Conclusão
Opinião pessoal ou de grupo sobre o filme;
Grau de satisfação das expectativas pessoais e do grupo;
Sugestões para futuras sessões.

4. Anexos
Ficha técnica completa do filme;
Críticas sobre o filme.

ES José Belchior Viegas  

Plano de relatório após uma sequência de aulas:

1. Introdução
Número de aulas abrangidas;
Data das aulas;
Matéria sumariada;
Nome dos textos de apoio distribuídos;
Justificação da importância do (s) tema (s) e estratégias de motivação
usadas pelos professores.

2. Desenvolvimento
Estratégias usadas na abordagem dessa matéria:
Exposição do professor Meios auxiliares usados;
Trabalho de grupo;
Debate;
Visionamento de filme;
Fichas de leitura de investigação e aprofundamento, realizadas pela turma.
Trabalhos de casa,
Outras...
Resumo da matéria tratada nas aulas;
Grau de satisfação das expectativas individuais ou do grupo.

3. Conclusão
Apreciação crítica do trabalho realizado por docentes e discentes:
— Aspectos mais conseguidos
— Aspectos menos conseguidos
Sugestões para melhoria do trabalho de professores e alunos.

4. Anexos
Textos de apoio distribuídos;
Fotocópias das fichas de investigação individual ou de grupo;
Fotocópias das sínteses dos trabalhos de grupo;
Outros.
J. Vieira Lourenço, Ferramentas do aprendiz de filósofo. Porto: Porto Editora,
2004, pp.57-60 (texto adaptado)

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